sobre 1 café, 1 moça esnobe e a europa

preciso começar o post dizendo que, hoje, me senti alvo de um dos piores tipos de violência: fui medido e esnobado.

pode parecer infantil, pode parecer que eu tenho problemas de menos para me preocupar e que eu não tô agregando valor no camarote, mas, antes de me julgar, deixe-me explicar o contexto. fui convidado por um amigo para ir à um evento de empreendedorismo neste final de semana, evento o qual teria sua primeira edição de acordo com os moldes de encontros empreendedores que acontecem no Vale, na Europa, em Marte e na casa da tia Joaquina - ou seja, ia ser bacana.

o primeiro dia foi incrível! conversei com empreendedores simpáticos e com histórias de vida inspiradoras, os quais não hesitaram em dizer onde acertaram e onde erraram (o que é bem importante pra gente que tá ~nesse meio~). quem resolveu trocar a gravata pela startup (péssima metáfora, ok, já entendi) sabe o quanto é importante essa conversa com outras pessoas que tomaram a mesma decisão, por N motivos: você consegue entender que não está doido-de-pedra, você descobre que a pessoa já passou por problemas parecidos com os que você está passando agora, você vê uma luz no fim do túnel e, é claro, sempre é bom bater 1 papo com gente que não sejam seus colegas de trabalho (nada contra vcs lindos aliás amo ok <3). há quem chame isso de BENCHMARKING mas me recuso a usar termos em inglês pois: coxinha.

aí você chega em casa depois de uma rave de inspiração e seu cérebro tá frito, começa a tentar organizar toda a informação (aliás fica a dica para usar o Evernote, tá, quiridinho -- inclusive já falei disso em outro post), ou seja, um caos criativo. tudo blz, tudo suave. fui dormir, sonhei com nada pois o cansaço era maior que eu todo. um novo dia (chama domingo) nasceu e eu parti para o segundo round de conversas. estava animado, tudo seria complementar ao dia anterior! cheguei todo cheio de bons-dias, cumprimentando desde os seguranças na entrada até o cara que ficava de STAFF no auditório. resolvi tomar um cafézinho antes numa super cafeteria que tem por lá (chama Sofá Café pra quem se interessou), mas a fila tava sempre meio fila do zoológico (1 zona resumindo), aí acabei acidentalmente sendo atendido antes de uma moça.

agora atenção aos fatos, pois foram bem chatos: a moça ficou me encarando e eu só então percebi o que havia acontecido. virei pra ela sem graça -- pq eu sou do tipo que detesta quem fura fila, apenas vdds -- e pedi desculpas. gente, a moça ME MEDIU de cima a baixo, fez CARA DE NOJO e respondeu um "não tem problema" com voz de quem queria dizer "vai a pqp seu pobre". ah, gente, azedou o feijão, né. depois disso fiquei num mau humor desgraçado, acho que interferi na fauna de tão irritado que fiquei (aquela coisa, pombos batendo nas janelas, gatos correndo, cães brigando e afins). comecei a refletir e notei que, talvez, o momento fosse propício para uma lição, pois, agora que estou ficando velho, acho que tenho que tirar lição até da unha lascada quando tropeço na rua -- afinal as coisas precisam ter algum sentido ou vai ser bem #chatinho.

publiquei faz pouco tempo um texto na rede social facebook, o qual trazia a fala de alguns funcionários da grande empresa irritantemente onipresente Google, os quais relatavam que, em alguns momentos, era bastante difícil trabalhar lá por vários fatores. aí alguns caras comentaram e eu fui lá xeretar, e eis que o primeiro comentário, com bem mais de 100 CURTIDAS (pq LIKES: coxinha) era de 1 cara dizendo que muitas das startups no Vale do Silício estavam entupidas de gente arrogante. pensei MUNDO Ó MUNDO PQ TÃO MERDA? quer dizer que a galera das startups, toda aquela mística quase indiana, aquela história de que esses são os caras que vão resolver vários problemas, quer dizer que ESSES caras estão infectados com essa arrogância? mal sabia eu que, ao ler esse texto e tricotar meu cachecol de comentários, estava, na verdade, tendo uma premonição de que seria a próxima vítima.

você deve estar se perguntando, enquanto toma sua xícara de café (se acertei me fala pq vai ser legal rssssss #paranormalidades) o porquê de eu ter feito tanto alvoroço porque fui olhado torto na fila da cafeteria. afinal, eu estava errado, não? quer dizer que estou fazendo tempestade em copo d'água? quer dizer que essa leitura foi propositalmente desnecessária?

PÉÉÉÉÉ.

a questão, migs, é que eu estava num ambiente onde, teoricamente, as pessoas deveriam ser as mais receptivas possível, todas elas buscando, juntas, trocar experiências e se ensinarem. um bom ecossistema empreendedor tem que ser, sim, dinâmico, criativo e etc, mas, acima de tudo, deve ser respeitoso. o fato de eu ter levado uma esnobada de uma moça desconhecida me pegou totalmente desprevenido, porque eu estava no último lugar do mundo no qual esperava que isso fosse acontecer!

é impossível não comparar com a Finlândia, na qual tive o prazer de passar quase 1 mês, a convite da Aalto University, para submergir no habitat de inovação e empreendedorismo de lá. não me entenda mal, não quero cair no velho golpe de que tudo lá fora é melhor -- isso é igual justificar que as pessoas assaltam porque são naturalmente más, ou seja, parte de uma premissa falsa. só quero usar como exemplo pois fomos (eu e meu sócio n tenho amigos imaginários ok) em diversos lugares por lá e, mesmo entrando de espião nos eventos dos estudantes (inclusive 1 festa a fantasia a qual jamais esquecerei pois foi sensacional), nunca jamais never fui mal recebido, muito pelo contrário. os estudantes faziam questão de saber de onde eu vim, o que eu fazia, o que eu queria ali e -- acima de tudo -- me faziam sentir em casa, compartilhavam o conhecimento que tinham e chamavam pra encher a cara (gente lá faz -30 a noite não me julguem OKK aliás julguém porém: não ligo).

é claro que não estou estabelecendo uma relação do tipo NOSSA VEJAM SÓ OS FINLANDESES SÃO TODOS UNS EDUCADOS E VCS NÃO CHAMA OS CACHORRO CESINHA. pelo contrário, seria muito melhor se quase ninguém fosse arrogante dentro desse meio. empreendedorismo, para mim, é colaborar, trocar ideias, inovar, solucionar problemas e, acima de tudo, diversão. quando uma QUIRIDA dessas lança esse olhar 43, deixando claro que "olha esse é o MEU habitat, VOCÊ é o intruso aqui portanto que fique claro que as regras são MINHAS", sinto uma involução gigante em tudo o que já aprendi e vivi até hoje. pois é, fiz todo esse drama porque uma senhorita me esnobou na fila do café. sou dramático? sim, pode ser. mas acho 1 desserviço essa moça achar que pode elitizar o empreendedorismo, que pode tecer as regras de quem faz e quem não faz. afinal, se ela tá tão cheia de si, porque não vai tirar umas férias deliciosas em Ibiza e nos priva de sua magnânima presença? aproveita e dá uma passadinha na Finlândia pra ver se aprende um pouco sobre colaboração, porque ouvi dizer que no Vale a situação tá difícil, viu...

isso era mais 1 desabafo mas, quem sabe, alguma lição sai disso aqui né? (não? ok, desculpa gent vem cá vamo tomar um açaí).