sensível demais você me deixou

eu sou uma pessoa sensível. pode não parecer, pois costumo usar algumas armaduras contra esse mundão véio sem porteira, ainda mais sendo empreendedor, tendo que lidar com uma série de situações difíceis, pressão em projetos, cronogramas apertados, curvas de crescimento e gente -- ah! como é fácil lidar com gente (insira a plaquinha da ironia aqui).

desde pequenininho eu era o moleque que chorava vendo o rei leão (SIMBA VOLTA SIMBA PFVR PFVR PFVR) ou então a crionça que preferia ficar pintando, aprendendo a fazer tricô ou fazendo mosaico de milho & feijão ao invés de sair, me estourar na rua andando de bicicleta, tacar biribinha na casa do vizinho dentre outros.

eu carreguei isso comigo por tutta la mia vita, me tornando um adolescente daqueles bem emotivos que ouviam coldplay, assistiam glee e andavam em grupinhos com gente que ouvia banda emo, usavam gravata, franja penteada com chapinha e colocavam "srto fulano" na frente do nome do orkut. ÊTA JESUS MARAVILHOSO.

a seleção natural óbeveamente fez com que os sujeitos menos favorecidos nessa sociedade opressora ficassem pra trás ou ao menos que parássem com a chapinha néam porque nobody is thank you (ninguém é obrigado, traduzido pra quem não foi pro ciência sem fronteiras).

o que aconteceu é que eu virei um adulto que chora, um adulto que gosta mais daqueles filmes insossinhos que fazem a gente ter a falsa esperança de que o mundo é lindo, colorido, as pessoas são mágicas, todo mundo pode dar as mãos e fazer uma coreografia linda a qualquer momento, com todos os passos naturalmente fluindo e a voz sempre afinada. um adulto que, a qualquer momento, pode chegar para você e te dizer "olha eu acho que tenho sido um pé no sovaco nesses últimos dias, me desculpa tá?" e, principalmente, um adulto que se importa muito com a forma por meio da qual as pessoas se expressam.

gente, gente... não é birra. muito pelo contrário, é um treco mais forte que eu. quando as pessoas - principalmente as próximas - me tratam com desdém, ou então quando elas pegam esse meu "desculpa" e dão a mesma importância que dão pra corrente de whatsapp... olha. não há palavras no vasto português do brasil (pt_br para os DEV H4CK3R5) que descrevam o quanto isso me dá uns ziriguidum. sério, dá ruim.

a gente vive num lugar assim que eu nem ouso mais chamar de mundo pois tá tão torto que já é tipo pote de sorvete com feijão dentro. acho que enquanto a gente achar que tudo é garantido, ou seje, que a gente pode simplesmente considerar que as pessoas sempre estarão ali do nosso lado, dificilmente conseguiremos construir laços verdadeiros. é lógico que a gente é cheio de espinho e alfineta as pessoas sem querer, mas o mínimo multiplo comum OPS DIGO o mínimo que a gente pode fazer em toda a nossa imperfeição humana é dar valor pra esse grande mistério da natureza chamado ser humano.

sério, miga/migo/mige, vamos se esforçar. vamos dar o melhor de si.

mais amor, por favor.