eu penso, tu faz, ele não usa

faz um bom tempo já que venho pensando em diferentes temas para postar aqui, mas nenhum parecia muito bom (ou então eu que sou cricri demais se você achar que é isso ligue para 0800-sdds louça). aí comecei a refletir bastante e notei que, para falar qualquer coisa que seja, preciso partir da premissa de que as cartas estão na mesa -- ou seja, preciso dizer mais sobre como penso e como isso tudo se deu. OU SEJE, enrolei um parágrafo para falar que esse post vai ser sobre: a base do meu modo -- e, de certa forma, o modo da minha empresa -- de entender o mundo no qual estamos. gente, por favor, aplausos pois este é o meu primeiro post com INFOGRÁFICOS feitos a mão PALMAS PFVR AND THE OSCAR GOES TO EU. infográfico, para os desavisados, é só um jeito bonito de falar desenhos que a gente faz pra passar melhor uma ideia (tendeu ou quer que eu desenhe? RSS CALMA CARA ERA BRINK vem cá vamo conversa). para os desavisados de plantão devo lembrar que este blógue é sobre empreendedorismo, startups, tecnologia, os pobrema do mundo e meus desabafos então se você for menor de 18 anos vai jogar videogueime que é melhor MENTIRA corrão todos vamos salvar o mundo das cáries.

mas, partindo ao que interessa. oi, esse é o André. ele é assim, meio bicho-grilo, todo dixxcolado, gosta de tocar violão cos amigos no final de semana, curte uma cervejinha porque ninguém é de ferro e adora uns cinemas alternativos. o André não tem grana para pagar uma faculdade, já que a mãe dele, a dona Irene, é doméstica e só consegue pagar o aluguel do sobradinho no qual eles estão morando faz 20 anos, desde que o seu Manuel (que deus o tenha) passou dessa pra melhor. seu Manuel era o pai do André e ele trabalhava numa oficina mecânica, mas um dia o coitado bateu as botas sem aviso prévio. o André não é um cara muito engajado. na verdade, ele faz uns bicos no botequinho do seu Alcides pra conseguir pagar o busão e ajudar a velha em casa.

oi esse é o andré

tá, mas por que eu contei a história do André? aliás, quem é o André? isso, meu caro e jovem padawan, é a base de tudo. o André é o que a gente chama de persona, que é só um nome bonito lá dos isteites para designar "o brother para o qual você está resolvendo algum problema". epa, mas que problema? aí depende de dois fatores (principalmente): 1) o que você sabe fazer; 2) o que você está disposto a fazer. ter uma startup, muito mais do que aparecer na TV ou ter um filme falando sobre você (não que eu não esteja esperando o "Soledade: uma biografia não-autorizada") significa RESOLVER PROBLEMAS. o mundo tá cheio deles, escolhe um -- tem buffet e a la carte, mas o primeiro passo necessário é lembrar que, antes de sair resolvendo tudo o que achar pela frente, é preciso lembrar do André, que tá ali em cima. o André é a representação das pessoas que estarão no meio dessa farofa toda, ele é o rosto das pessoas que (con)vivem com os problemas que estamos buscando resolver. existem vários métodos para se criar uma persona, mas o mais eficiente (IN MY OPINION -- na minha opinião para os que fugiram do FISK) é sair na rua e conversar com os Andrés e as Andréias que estão por aí, a solta no mundo, dando mais sopa que pokémon na graminha. guarde bem esta etapa em sua mente, xóvem, pois ela é um dos pilares de uma coisa que nós (quem?) chamamos de

human centered design

(ou design centrado em humanos, para ozíntimos)

existem milhares de aplicações do HCD (vamos encurtar né pq o tempo URGE) e também dezenas de origens, escolas, possíveis criadores etc. eu gosto de pensar que o HCD, na verdade das verdades, é um misto-quente de várias visões e escolas diferentes -- tendo lá seu pézinho no marketing, na psicologia, no PBL (Problem Based Learning) e etc. para os céticos, lá no final vou colocar uma listinha de bibliografias e fontes já que travesti não é bagunçERROR. ah tá, então a gente vai falar de pintar botãozinho, fazer panfleto, folder, flyer e tudo isso né? pq, design é isso, não é? PÉÉÉ.

design é um processo

e o que significa chamar design de processo? vamos pensar num designer (no sentido literal da palavra) prototipando -- sei lá molecada me ajuda ae -- um novo tipo de copo, por exemplo, para ser vendido por 199,90 na POLISHOP e ainda dar de brinde para os primeiros 50 que ligarem uma sensacional iogurteira top-therm. nesse processo de descoberta, ele pensa sempre nas possíveis pessoas que usarão esse copo: qual é o formato mais anatômico para não cair e espatifar no chão; qual a cor mais chamativa para você não achar que está sempre bebendo água suja; qual o tamanho ideal para você não ficar com sede quando acabar; qual a largura certa da boca para você não derramar água pelos cantos da boca e ser o amiguinho que sofre bullying, etc. durante esse processo, o designer não se isola em seu mundo, já que muito dificilmente ele terá todas as respostas sobre qual o formato ideal de copo. ele sai em busca das pessoas que de fato irão encher a cara na balada e pergunta para elas: "o que você espera de um copo? qual seria o copo que resolve todos os seus problemas?". BANG. esse é o design sobre o qual estamos falando aqui, este processo de descoberta que envolve as pessoas que irão utilizar a solução, ou seja, as pessoas que (con)vivem com o problema. para nós, empreendedores, resolvedores de problemas, esse processo tem que ser comido no café-da-manhã com leite e cereal. é fácil cair na falácia de que eu, tu, nós, vós temos todas as respostas e vamos conseguir resolver todos os problemas -- nós somos os universitários, nós estudamos, logo, nós sabemos resolver: CAI DENTRO MANÉ!

é sexy ser um engenheiro, eu sei tudo!

esse tipo de pensamento ocorreu (e ainda ocorre) em muitas empresas por esse mundão afora. por que? simplesmente pelo fato de ser mais cômodo estar sempre certo. falar com as pessoas que irão utilizar sua solução, na verdade, significa contestar muitas coisas que você sempre considerou corretas, ou então -- pior ainda -- descobrir que suas ideias estão completamente equivocadas. não há sensação pior do que finalmente descobrir que seu lindo produto, com um modelo de negócios impecável, discurso na ponta da língua para impressionar mamãe e até site pronto não serve para: nada. na verdade até serve, mas não para quem ou para o quê você pretendia. e tudo isso porque você esqueceu de perguntar para as pessoas que efetivamente iriam usar o seu magnífico produto (ou seja, as pessoas para as quais você está resolvendo algum problema) se aquilo realmente funcionava. FUÉ-FUÉ-FUÉÉ.

ceci n'est pas un copo

coloca, agora, tudo num caldeirão e faz aquele mexidão arroz-feijão-ovo-farinha que a gente manda pra dentro quando não tem comida em casa e temos uma interessante ferramenta para lidar com o mundo real. e, você pode estar se perguntando, por que ela é (potencialmente) mais eficiente do que outras quaisquer? porque meu querido, o mundo não gira em torno de vosso querido umbigo. se vamos resolver problemas, temos que colocar as pessoas que vivem esse problema diariamente no centro de nossa solução, para que -- em conjunto -- o designer e o usuário possam realizar o fantástico processo de co-design. e o que seria isso? ladies and changemen temos o maravilhoso infográfico a seguir para ilustrar a situação.

co-design

o co-design acontece na interação entre as técnicas do designer (ou do cara que vai propor uma solução) e a vivência do usuário em seu próprio meio. é tão simples em sua essência que até me surpreendo ao ver quanta gente não perde seus 5 minutinhos de pornERROR de youtube para efetivamente conversar com os potenciais usuários de suas potenciais soluções. tudo potencial, porque nada sabemos. este é o princípio máximo: todos somos copos meio-cheios e estaremos dispostos a transbordar com o conhecimento adquirido junto às pessoas que serão nossos usuários lindinhos e fofinhos (e o oscar de melhor metáfora vai para isso mesmo Jennifer Lawrence pq aquela menina ganha tudo mesmo).

é claro que existem mil formas de se compor uma persona, mil técnicas para otimizar o processo de co-design e ainda outras trocentas (sdds matemática) para que o processo em si não acabe por deixar muita gente frustrada, mas, em essência, sempre temos uma equação simples até: pessoas + problemas + design = soluções. em breve vou falar um pouco das técnicas e de alguns princípios, mas acho que, para começar, essa história toda já é um bom começo. VLW POR TER PASSADO GENT qualquer contribuição tá valendo. brinks, espero que eu tenha tocado vossos coraçõezinhos com mais este conto do titio Marcos. beijo na alma.