a guerra pelo mais simples

preciso começar esse post dizendo duas coisas: 1) é um post mais voltado para quem quer abrir sua startup (é, Apple, enquanto você não registrar essa palavra eu posso usar sim); 2) guardem as armas, amantes de outras tecnologias, este post é uma ilustração do que eu, como profissional da área da tecnologia (ou n3rd) vejo como uma boa saída para pessoas não-tech. enfim, vamos ao que interessa.

bom, estava eu em minha humilde correria diária quando uma tia minha pediu ajuda para montar um site para o negócio dela. obviamente eu me animei, já que essa história de abrir novos negócios sempre me deixa bem empolgado (eu fiz um teste sobre perfil empreendedor no meio do ano passado e descobri que sou do tipo "inventor" que significa, em poucas palavras, o cara que gosta de inventar moda e acha os detalhes entediantes... that's me, bitch). pois é, logo corri a pesquisar alguma tecnologia que iria me possibilitar desenvolver o sistema muito rapidamente e sem customizações infernais com o backend (a parte do código que faz as coisas acontecerem) e - principalmente - o frontend (a parte fofinha, coloridinha e bonitinha que vocês, usuários lindos, usam para errar a senha e mandar email pra gente <3).

basicamente o sistema precisaria de uma área de login/senha, de um formulário para envio de pedidos, de uma lógica bem boba de envio de email e acompanhamento de pedido. eu parti logo para o modo hardcore e considerei Drupal, Magento, Joomla e cia. é claro que o poder desses CMS's (Content Management Systems, para os menos íntimos) me fez pensar neles mais rápido que minhas inimigas fogem quando eu chego, mas após um pouco de consideração no banho, cheguei à uma conclusão que talvez nos falhe em momentos de necessidade grande: será que eu preciso de tudo isso?

é uma inferência meio automática - e até quase que racional - achar que quanto mais a tecnologia tem a te oferecer, melhor para você. eu caio nessa armadilha ao menos uma vez ao dia, e não é só na hora de selecionar uma tecnologia para trabalhar, mas também na hora de fazer pequenas escolhas no dia-a-dia, como por exemplo: pego o sanduíche menor ou o maior com double-cheese, triple-hamburguer, quadruple-molho quintuple-etc? pego o serviço básico ou o plus-power-ganhe-viagem-para-marte? bebo o café expresso ou o capuccino com chantilly, cereja e malabraristas engolidores-de-fogo dançando a conga ao redor? note que não estou dizendo para você escolher sempre o mais simples, porque isso é meio comodista (#vemprarua RSRS), mas às vezes uma certa discrição é necessária para que possamos escolher aquilo que mais se adequa à necessidade do momento, ou acabamos matando mosca com tiro de canhão.

pensando em tecnologiês, o conceito é o mesmo, principalmente no universo das startups (#chupaApple), onde as coisas mudam a todo momento, o futuro é incerto mas a urgência é grande. essa iluminação no banho me fez pensar no sentido oposto ao que eu normalmente faria, ou seja, ao invés de tentar buscar o que eu precisava, comecei a ponderar sobre o que eu não precisava neste projeto. a lista ficou mais ou menos do jeito que segue.

o que eu não precisava a princípio:

  • página de perfil do usuário;
  • relacionamentos entre usuários;
  • painel de controle para o usuário;
  • gerenciamento complexo de pedidos (estoque, caixa, etc);
  • integração com outros sistemas;
  • páginas com interação complexa (conteúdo dinâmico, criação de conteúdo pelo usuário, etc).

aí sim eu comecei a pensar no que eu precisava:

  • sistema de login e senha;
  • páginas restritas;
  • envio e controle de status de pedidos;
  • envio de email para o usuário;
  • sistema de pagamento pelo site;
  • postagens com notícias relacionadas ao serviço.

pronto. isso para mim foi o suficiente para notar que eu não precisava do CMS do homem de ferro, mas sim de uma solução simples e que fizesse mais ou menos o que o projeto pedia. eis que pensei com meus botões (mentira gent isso é coisa de doido ok é apenas 1 metáfora): porquê não Wordpress? para quem não conhece (alok de que planeta vc veio RSRS mentira ngm é obrigado), o WP é também um CMS bem famoso no meio dos bloggers, mas que possui duas versões: a online, que fica hospedada no servidor da Wordpress.org, a qual você pode utilizar sem custos; e a versão plataforma, que você baixa, instala no seu servidor e pode customizar a vonts. a internet está recheada de tutoriais, hacks, plugins e temas para ele também, o que ajuda muito na hora de construir o seu produtinho, com muito amor e dedicação. depois de dois dias e pouquinho mexendo com ele, instalando os plugins certos e arrumando algumas coisinhas simples de interface, voilà! a plataforma estava pronta.

é engraçado pensar no quanto a gente se prende nas coisas grandes, complexas e cheias de extensões quando a solução pode ser algo muito mais simples e acessível. o meu sócio, o Ricardo, me recomendou um vídeo de uma palestra que ele viu no InfoTrends desse ano, com um cara chamado Wesley Barbosa, que é executivo de negócios da Baidu na américa latina. na palestra, ele fala de um modelo completamente diferente de inovação, que foge um pouco dessa ideia de que a gente tem sempre que fazer tudo diferente ou então inventar algo completamente novo e bla bla bla. na real, a inovação pode surgir de pequenas modificações de coisas já existentes (tire o telefone do iPhone e o que ele é? tcharam, o iPod) ou até da divisão de uma coisa maior em várias coisinhas que são inovadoras justamente por serem unidades menores. trazendo pro mundo do concreto (do cimento na calçada rssss), na hora de criar um produto mínimo viável (MVP) - ou seja, aquele produto que é feito com o mínimo de custo para provar alguma hipótese associada a sua ideia - menos pode ser muito mais.

no meu mundinho da computação, é muito comum ver gente procurando sempre as melhores tecnologias, as práticas mais avançadas, os dispositivos mais complexos ou então os códigos menos inteligíveis. eu sou adepto da navalha de occam, que prega que a solução mais simples será a verdadeira. é claro que isso é uma abstração e o mundo é cheio dos truques, no entanto, adicionar tanta entropia à um projeto pode acabar por torná-lo menos efetivo, ao contrário do que se espera. um outro mantra que eu trago sempre comigo é o princípio do Lavoisier (sim, ele foi um cientista antes de virar 1 laboratório #chatiated): "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". ou seja, aproveita o que tem de pronto nesse mundão! ao invés de recriar a roda todas as vezes, tente se engajar nas comunidades open-source, ver o que a galera já criou de bom, ver o que você não precisa criar novamente. o Wordpress é um exemplo muito claro disso: é uma plataforma para sites, mas a comunidade criou tantos plugins que eu consegui desenvolver o meu MVP praticamente sem programar. é claro, via de regra, se usou, contribua de volta! é igual pegar um pedacinho do lanche do coleguinha no recreio da primeira série: tem que dar um pedacinho do seu lanche também, ou você vai ser a criancinha egoísta que fica excluída no cantinho da vergonha.

enfim. neste caso, o wordpress me ajudou a criar uma plataforma simples, porque eu parti da premissa de que eu não precisaria de tanta coisa. pode ser que daqui um tempo a coisa desande e eu precise refazer a plataforma, sim, claro... mas, para fins de produto mínimo viável, serviu como uma luva. é claro que o Wordpress foi apenas 1 exemplo dentro de um oceano de tecnologias/serviços que podem ajudar na hora de criar um MVP, mas o que conta mesmo, no final, é o quanto você consegue simplificar. afinal, o bem mais precioso de um empreendedor é o tempo. e o amor, ah sim, o amor.